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quarta-feira, 14 de julho de 2010

Cotas e mitos educacionais

A imprensa brasileira é tão imparcial, mas tão imparcial que faz questão de ouvir os dois lados da história. Depois de publicar artigo de professora contrária às cotas, o jornal O Globo publicou outro artigo defendendo o sistema de cotas. Muito justo.

Veja o belo argumento em defesa do sistema de cotas publicado pelo jornal:

"a experiência mostra que mesmo os "burros" podem frequentar a universidade e colher resultados práticos bastante significativos"
Fonte: http://oglobo.globo.com/opiniao/mat/2010/07/13/cotas-mitos-educacionais-917139399.asp
Com uma defesa dessas, quem precisa de acusação?

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Sistema de cotas tem resultado positivo, mas...

Recente estudo da UERJ prova que o índice de abandono do curso e o índice de reprovação são maiores entre os não cotistas. Isso mesmo, NÃO cotistas são reprovados e abandonam o curso. Os cotistas têm mais motivos para superar as dificuldades.
Fonte: http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2010/06/uerj-divulga-estudo-com-resultado-positivo-sobre-o-sistema-de-cotas.html


Há na matéria jornalística uma informação enigmática:

"O estudo aponta ainda que, em vários cursos, a nota máxima atingida por um candidato cotista é sempre inferior à nota mais alta do não cotista, como nos casos de medicina (cotistas 81 e não cotista 84,5), engenharia química (49,3 x 74,8), informática (50,5 x 78) e enfermagem. (53,3 x 60,5)."

Como assim? Em vários cursos a nota máxima do cotista é inferior à do não cotista. Isso significa que em outros cursos a nota máxima do cotista é superior à do não cotista? Não pude localizar o estudo da UERJ na íntegra para tirar a dúvida.


Não defendo as cotas raciais, como é o caso da UERJ. Defendo que universidade grátis deve ser um benefício para todos os que não podem pagar. Assim como bolsa família, o benefício deve ser dado a quem realmente precisa dele. Não importa a cor.

As elites, como pode se ver na matéria do jornal nacional, insistem em apoiar a meritocracia como único critério para ingresso na faculdade pública. O mesmo critério que enche as uerjs da vida com jovens que podem pagar por um curso particular. Se um juiz, dentista ou médico recebesse "bolsa família", certamente seria escândalo nacional. As autoridades seriam chamadas às falas para explicar como um absurdo desses pôde acontecer. O mesmo juiz, dentista ou médico recebe "bolsa universidade pública" para o filho e todos acham natural e ainda se revoltam contra os pobres que querem tirar os direitos do pobre menino rico. Vai entender.

Batem sempre na mesma tecla. "Tem que melhorar a qualidade do ensino público, assim os pobres vão competir com os alunos das melhores escolas privadas em pé de igualdade." Tá. Sei. Entendi. Vamos fazer algumas contas.

a. Cada aluno de boas escolas particulares custam aos pais, somando-se mensalidade, material didático, transporte, uniforme etc, uma média de R$ 1.000,00 por mês.

b. O país deve ter mais ou menos uns 80 milhões de jovens em idade compatível com ensinos fundamental e médio.

c. O custo anual da boa qualidade de ensino será  (a) multiplicado por (b) multiplicado por 12 meses, ou seja, a bagatela de R$ 960.000.000.000,00 (novecentos e sessenta BILHÕES de reais), sem contar com os desperdícios, desvios e mau uso do dinheiro público.

A conclusão óbvia é que a meritocracia é conversa fiada das elites para afastar os pobres de um dos poucos serviços públicos de qualidade.

sábado, 6 de março de 2010

Redação de estudante carioca vence concurso da UNESCO

MENSAGEM:
Sent: Monday, March 01, 2010 11:58 PM
Subject: FW: REDAÇÃO DE ESTUDANTE CARIOCA VENCE CONCURSO DA UNESCO

Tema: 'Como vencer a pobreza e a desigualdade'
Por Clarice Zeitel Vianna Silva
UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - RJ

'PÁTRIA MADRASTA VIL'

Onde já se viu tanto excesso de falta? Abundância de inexistência. .. Exagero de escassez... Contraditórios? ? Então aí está! O novo nome do nosso país! Não pode haver sinônimo melhor para BRASIL. Porque o Brasil nada mais é do que o excesso de falta de caráter, a abundância de inexistência de solidariedade, o exagero de escassez de responsabilidade.

O Brasil nada mais é do que uma combinação mal engendrada - e friamente sistematizada - de contradições. Há quem diga que 'dos filhos deste solo és mãe gentil.', mas eu digo que não é gentil e, muito menos, mãe. Pela definição que eu conheço de MÃE, o Brasil está mais para madrasta vil.

A minha mãe não 'tapa o sol com a peneira'. Não me daria, por exemplo, um lugar na universidade sem ter-me dado uma bela formação básica. E mesmo há 200 anos atrás não me aboliria da escravidão se soubesse que me restaria a liberdade apenas para morrer de fome. Porque a minha mãe não iria querer me enganar, iludir. Ela me daria um verdadeiro Pacote que fosse efetivo na resolução do problema, e que contivesse educação + liberdade + igualdade. Ela sabe que de nada me adianta ter educação pela metade, ou tê-la aprisionada pela falta de oportunidade, pela falta de escolha, acorrentada pela minha voz-nada-ativa. A minha mãe sabe que eu só vou crescer se a minha educação gerar liberdade e esta, por fim, igualdade. Uma segue a outra... Sem nenhuma contradição!

É disso que o Brasil precisa: mudanças estruturais, revolucionárias, que quebrem esse sistema-esquema social montado; mudanças que não sejam hipócritas, mudanças que transformem! A mudança que nada muda é só mais uma contradição. Os governantes (às vezes) dão uns peixinhos, mas não ensinam a pescar. E a educação libertadora entra aí. O povo está tão paralisado pela ignorância que não sabe a que tem direito. Não aprendeu o que é ser cidadão.

Porém, ainda nos falta um fator fundamental para o alcance da igualdade: nossa participação efetiva; as mudanças dentro do corpo burocrático do Estado não modificam a estrutura. As classes média e alta - tão confortavelmente situadas na pirâmide social - terão que fazer mais do que reclamar (o que só serve mesmo para aliviar nossa culpa)... Mas estão elas preparadas para isso?

Eu acredito profundamente que só uma revolução estrutural, feita de dentro pra fora e que não exclua nada nem ninguém de seus efeitos, possa acabar com a pobreza e desigualdade no Brasil.

Afinal, de que serve um governo que não administra? De que serve uma mãe que não afaga? E, finalmente, de que serve um Homem que não se posiciona?

Talvez o sentido de nossa própria existência esteja ligado, justamente, a um posicionamento perante o mundo como um todo. Sem egoísmo. Cada um por todos.

Algumas perguntas, quando auto-indagadas, se tornam elucidativas. Pergunte-se: quero ser pobre no Brasil? Filho de uma mãe gentil ou de uma madrasta vil? Ser tratado como cidadão ou excluído? Como gente... Ou como bicho?


Premiada pela UNESCO, Clarice Zeitel, de 26 anos, estudante que termina faculdade de direito da UFRJ em julho, concorreu com outros 50 mil estudantes universitários.

Ela acaba de voltar de Paris, onde recebeu um prêmio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) por uma redação sobre 'Como vencer a pobreza e a desigualdade'

A redação de Clarice intitulada `Pátria Madrasta Vil´ foi incluída num livro, com outros cem textos selecionados no concurso. A publicação está disponível no site da Biblioteca Virtual da UNESCO.

Favor divulguem, aos poucos iremos acordar este "BraSil".


RESPOSTA:
Lamentável.

A qualidade do texto é inquestionável; quanto ao conteúdo... só repete todas as fórmulas neoliberais de botequim. Mais um talento desperdiçado pela falta de neurônios críticos, pela incapacidade de refletir. A moça comprou uma ideologia pré-fabricada no shopping center. Como aquele jeans que já vem rasgado, os argumentos que ela apresenta estão cheios de furos.

> A minha mãe não 'tapa o sol com a peneira'. Não me daria, por exemplo,
> um lugar na universidade sem ter-me dado uma bela formação básica.

O ensino público nunca foi e jamais será melhor que o ensino privado. É só fazer as contas. Você sabe muito bem quanto custa uma criança no ensino fundamental. Multiplique isso por, pelo menos, 80 milhões de crianças. Não há dinheiro suficiente para todos. Mesmo se a corrupção deixasse de existir, ainda assim não haveria dinheiro suficiente.

Sabendo disso, o que fazer? Manter a situação antiga, ou seja, somente filhinhos de papai podem estudar em universidades públicas porque estudaram em escolas particulares a vida toda? Barrar as pessoas que realmente precisam das universidades públicas até que a escola pública fique melhor que a privada (ou seja, nunca)?

> E mesmo há 200 anos atrás não me aboliria da escravidão
> se soubesse que me restaria a liberdade apenas para
> morrer de fome.

Cuméquié?

É claro que a abolição deveria ser acompanhada de um pacote completo, com educação, saúde, reforma agrária... mas se tudo isso não for possível, eu aceito só a liberdade, mesmo que seja só para morrer de fome.

> Os governantes (às vezes) dão uns peixinhos, mas não ensinam a pescar.

No tempo do Sarney, aquele crápula criou as famigeradas 'frentes de trabalho' para ensinar o povo nordestino a pescar cavando açudes. Nunca vou esquecer aquele exército de brancaleone, velhos, fracos de fome, batendo enxada na terra esturricada, de sol a sol, para ganhar meio salário mínimo (que na época não passava de 25 dólares por mês). O povo aprendeu o quê, exatamente?

O governo atual dá o peixe, mas a família tem que levar as crianças para a escola, manter a vacinação em dia, fazer pré-natal... O povo está aprendendo como construir uma nova geração. Mais saudável, mais inteligente, mais culta. Isso é mais importante do que pescar.
Só porque um discurso é bem escrito, não significa que seja verdade. Os discursos do hitler eram magnificamente bem escritos.

Fazer o quê?