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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Jornal Anti-nacional

Essa Rede Globo não tem jeito. Quando não consegue esconder uma boa notícia, deturpa.

Na edição do dia 10 o Jornal Nacional teve que anunciar que o nordeste ultrapassou o sudeste em vendas de motocicletas. Um número para ser comemorado por indicar a redução das desigualdades regionais. Mas, não! A Rede Globo não pode deixar isso acontecer.

Durante exatos 30 segundos a repórter falou sobre as vendas de motocicletas. Nos 86 segundos restantes, a repórter com sotaque nordestino destilou preconceito e arrogância, informando a todos os telespectadores neoliberais como os nordestinos são inaptos para pilotar motos, como os nordestinos desrespeitam as leis de trânsito e, por conseguinte, como era melhor no tempo do FHC, quando os nordestinos andavam de jumento.

Coisa feia, Rede Globo.

Link: http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2011/12/nordeste-vende-mais-motos-que-o-sudeste-em-2011.html

terça-feira, 14 de junho de 2011

Trinta e oito mil trabalhadores escravos resgatados

"Balanço da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) mostra que desde a criação do Grupo Especial de Fiscalização Móvel, em 1995, foram resgatados no Brasil 38.769 trabalhadores em situação análoga à de escravo. Entre 1995 e 2002 houve 5.893 resgates. Entre 2003 e 2010 houve 32.986."
Fonte: http://www.mte.gov.br/sgcnoticia.asp?IdConteudoNoticia=7561&PalavraChave=escravo

Das duas uma: ou havia pouca escravidão na era FHC, ou o combate à escravidão era ineficiente. Afinal de contas, pobre não precisa de salário e nem dignidade.

Este post é uma singela homenagem ao diretor de jornalismo da rede globo, Ali Kamel, autor do clássico da sociologia intitulado "Não Somos Racistas", praticamente um "Casa Grande e Senzala" moderno.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Sistema de cotas tem resultado positivo, mas...

Recente estudo da UERJ prova que o índice de abandono do curso e o índice de reprovação são maiores entre os não cotistas. Isso mesmo, NÃO cotistas são reprovados e abandonam o curso. Os cotistas têm mais motivos para superar as dificuldades.
Fonte: http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2010/06/uerj-divulga-estudo-com-resultado-positivo-sobre-o-sistema-de-cotas.html


Há na matéria jornalística uma informação enigmática:

"O estudo aponta ainda que, em vários cursos, a nota máxima atingida por um candidato cotista é sempre inferior à nota mais alta do não cotista, como nos casos de medicina (cotistas 81 e não cotista 84,5), engenharia química (49,3 x 74,8), informática (50,5 x 78) e enfermagem. (53,3 x 60,5)."

Como assim? Em vários cursos a nota máxima do cotista é inferior à do não cotista. Isso significa que em outros cursos a nota máxima do cotista é superior à do não cotista? Não pude localizar o estudo da UERJ na íntegra para tirar a dúvida.


Não defendo as cotas raciais, como é o caso da UERJ. Defendo que universidade grátis deve ser um benefício para todos os que não podem pagar. Assim como bolsa família, o benefício deve ser dado a quem realmente precisa dele. Não importa a cor.

As elites, como pode se ver na matéria do jornal nacional, insistem em apoiar a meritocracia como único critério para ingresso na faculdade pública. O mesmo critério que enche as uerjs da vida com jovens que podem pagar por um curso particular. Se um juiz, dentista ou médico recebesse "bolsa família", certamente seria escândalo nacional. As autoridades seriam chamadas às falas para explicar como um absurdo desses pôde acontecer. O mesmo juiz, dentista ou médico recebe "bolsa universidade pública" para o filho e todos acham natural e ainda se revoltam contra os pobres que querem tirar os direitos do pobre menino rico. Vai entender.

Batem sempre na mesma tecla. "Tem que melhorar a qualidade do ensino público, assim os pobres vão competir com os alunos das melhores escolas privadas em pé de igualdade." Tá. Sei. Entendi. Vamos fazer algumas contas.

a. Cada aluno de boas escolas particulares custam aos pais, somando-se mensalidade, material didático, transporte, uniforme etc, uma média de R$ 1.000,00 por mês.

b. O país deve ter mais ou menos uns 80 milhões de jovens em idade compatível com ensinos fundamental e médio.

c. O custo anual da boa qualidade de ensino será  (a) multiplicado por (b) multiplicado por 12 meses, ou seja, a bagatela de R$ 960.000.000.000,00 (novecentos e sessenta BILHÕES de reais), sem contar com os desperdícios, desvios e mau uso do dinheiro público.

A conclusão óbvia é que a meritocracia é conversa fiada das elites para afastar os pobres de um dos poucos serviços públicos de qualidade.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Veja quanta mentira

Ao Editores da revista Veja:

Na matéria “A farra da antropologia oportunista” (Veja ano 43 nº 18, de 05/05/2010), seus autores colocam em minha boca a seguinte afirmação: “Não basta dizer que é índio para se transformar em um deles. Só é índio quem nasce, cresce e vive num ambiente cultural original” .

Gostaria de saber quando e a quem eu disse isso, uma vez que (1) nunca tive qualquer espécie de contato com os responsáveis pela matéria; (2) não pronunciei em qualquer ocasião, ou publiquei em qualquer veículo, reflexão tão grotesca, no conteúdo como na forma. Na verdade, a frase a mim mentirosamente atribuída contradiz o espírito de todas declarações que já tive ocasião de fazer sobre o tema. Assim sendo, cabe perguntar o que mais existiria de “montado” ou de simplesmente inventado na matéria. A qual, se me permitem a opinião, achei repugnante.

Grato pela atenção,

Eduardo Viveiros de Castro
Antropólogo – UFRJ

Associação Brasileira de Antropologia responde a 'Veja'

A agressão sofrida pelos antropólogos não é de maneira alguma nova nem os personagens envolvidos são desconhecidos. Um breve sobrevoo dos últimos anos evidencia isto. O antropólogo Stephen Baines em 2006 concedeu uma longa entrevista a Veja sobre os índios Waimiri-Atroari, população sobre a qual escrevera anos antes sua tese de doutoramento. A matéria não saiu, mas poucos meses depois, uma reportagem intitulada "Os Falsos Índios", publicada em 29 de março de 2006, defendendo claramente os interesses das grandes mineradoras e empresas hidroelétricas em terras indígenas, inverteu de maneira grosseira as declarações do antropólogo (pg. 87).  Apesar dos insistentes pedidos do antropólogo para retificação, sua carta de esclarecimento jamais foi publicada pela revista. O autor da entrevista não publicada e da reportagem era o Sr. Leonardo Coutinho, um dos autores da matéria divulgada na última semana pelo mesmo meio de comunicação.

Em 14-03-2007, na edição 1999, entre as pgs. 56 e 58, uma nova invectiva contra os indígenas foi realizada pela Veja, agora visando o povo Guarani e tendo como título "Made in Paraguai - A FUNAI tenta demarcar área de Santa Catarina para índios paraguaios, enquanto os do Brasil morrem de fome". O autor era José Edward, parceiro de Leonardo Coutinho, na matéria citada no parágrafo anterior. Curiosamente um subtítulo foi repetido na matéria da semana passada - "Made In Paraguay".  O então presidente da ABA, Luis Roberto Cardoso de Oliveira, solicitou o direito de resposta e encaminhou um texto à revista, que nem sequer lhe respondeu.

Poucos meses depois a revista Veja, em sua edição 2021, voltou à carga com grande sensacionalismo. A matéria de 15-08-2007 era intitulada "Crimes na Floresta - Muitas tribos brasileiras ainda matam crianças e a FUNAI nada faz para impedir o infanticídio" (pgs. 104-106). O subtítulo diz explicitamente que o infanticídio não teria sido abandonado pelos indígenas em razão do "apoio de antropólogos e a tolerância da FUNAI." A matéria novamente foi assinada pelo mesmo Leonardo Coutinho. Novamente o protesto da ABA foi ignorado pela revista e pode circular apenas através do site da entidade.

Fonte: http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=70689